Parque Nacional Huascaran – Cordilheira Branca no Peru

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Parque Nacional Huascaran – Cordilheira Branca no Peru

07.01.2017 a 15.01.2017

Após nossa inesquecível visita às ruinas de Caral, seguimos direto para cidade de Huaraz, retornando para a Cordilheira dos Andes, deixando o litoral. Isso significava sair de 30ºC e voltar para uma temperatura abaixo de 10ºC. Assim é o Peru, consegue estar em temperaturas opostas em um mesmo dia.

Percorremos 305Km até chegar a principal cidade da Cordilheira Branca, Huaraz. É aqui que estão os principais serviços, como agência de turismo, bancos, supermercados e diversas opções de hostel. Para overlander, nem tanto. Fomos dormir em um estacionamento de um hotel, Hotel Real, que nos deixou usar um quarto para usarmos o banheiro e tomar uma ducha, afinal estávamos suados, após a visita a Caral no sol do meio-dia e toda a tarde na estrada. Ainda para ajudar, chuva e mais chuva. Mas aproveitamos e já fomos no suporte ao turista, pegar informações e também em uma determinada agência onde nos explicaram quais percursos conseguiríamos realizar com o Sancho, sem precisar de guia ou contratar algum passeio.

Depois de muitas dicas, decidimos percorrer 03 roteiros, conforme o mapa abaixo:

  1. Ida até Parque Huascaran, até Túnel Punta Olímpico;
  2. Ida até Parque Huascaran, Laguna Llanganuco e Laguna 69;
  3. Ida até Parque Huascaran, Laguna Parón

Túnel Punta Olímpico

Acordamos pela manhã ainda acampado em Huaraz, tomamos nosso café e seguimos para a estrada que leva até o Túnel Punta Olímpico. Esse trajeto é o mais tranquilo de todos, onde você realiza todo ele por asfalto em boas condições. Mas também é bonito e indicamos, até porque você consegue realiza-lo em meio dia. Este túnel está construído no alto do Pico Alto Olímpico, o qual chega a 5.785msnm, e o túnel ao nível de 4.735 msnm, sendo o mais largo construído em rocha no Peru e o mais alto túnel transandino em altitude do mundo. Devido esses fatores, você contempla paisagens maravilhosas, como os picos nevados durante o trajeto, sob muita neblina, e ao atingir a entrada do túnel, você é presenteado por um visual muito próximo desses picos e montanhas nevadas do incrívelHuascaran, onde você consegue pisar no gelo e se der sorte, como nós demos, sentir a neve cair sobre você. É uma paisagem fascinante, fácil de chegar e curiosa. Depois de contemplá-la, pode atravessá-lo e apreciar mais um pouco da beleza do outro lado. Nós, quando atravessamos, já não conseguíamos encher mais nada, devido a neblina, então aconselhamos ir o mais cedo possível.

Laguna Llanganuco

Retornamos e decidimos seguir direto para a Laguna Llanganuco, onde tínhamos a possibilidade de fazermos um Wild Camping. E assim fomos, percorrendo menos de 100 km para chegarmos até ela. Mas apesar de perto, chegamos apenas no fim da tarde, já que a estrada dentro do parque Huascarán, em alguns trechos, pedia uma velocidade bastante reduzida. Sim, é possível ir de carro sem tração, mas com muita calma para não danificar seu companheiro. Ao ingressar no parque, é cobrado uma tarifa de 01 dia (R$10,00 por pessoa) ou de 21 dias com uma taxa de R$ 70,00 por pessoa. Mesmo você pagando R$ 70,00 e ficar tranquilo para aproveitar o parque, optamos em pagar como um dia, pois não sabíamos quanto tempo ficaríamos, e para nós valeria a pena pagar novamente a entrada em outro dia.

Seguimos estrada, contornando aqueles paredões negros da Cordilheira e apreciando suas montanhas de neve, suas quedas d´agua, até chegarmos à laguna Llanganuco, também conhecida como laguna Chinacocha. Nesse momento veio lembranças muito especiais de nossa viagem à Patagônia, quando visitamos Torres del Paine e Carretera Austral, e que até então nada superava essas belezas naturais. Mas aqui, começava o ponto alto de nossa viagem pela América do Sul até então, Huscaran, foi até o momento, o lugar mais espetacular que visitamos. A lembrança da Patagônia se dava devido a cor da Laguna, um tom de verde turquesa, puxando às vezes para o azul, aquela cor que só se vê quando a água da laguna é formada pelo derretimento das geleiras. Passamos por ela, até chegarmos em nosso acampamento, praticamente de frente para a laguna, em um campo aberto, mas que ainda tinha um banheiro que atendia às pessoas que visitavam o parque durante o dia. Não tinha como ser melhor, mas foi. Estacionamos, começamos a abrir a barraca, montar nossa estrutura, até que o sol começou a se pôr. Resultado, essa foto que você vê abaixo. Sensacional. Contemplamos, conversamos um pouco com o senhor que cuidava do local, o qual falava mais na língua Quéchua, e fomos prepara nossa janta para dormir.

No dia seguinte, passamos o dia todo por ali, a ideia era contemplar aquela beleza e se adaptar ainda mais à altitude antes do trekking para Laguna 69.  E a melhor maneira para esta adaptação é caminhar do camping até a laguna Llanganuco, apreciá-la de todos os lados, já que você caminhar ao redor quase que de toda ela. No total, uns 10km ida e volta, mas sem subidas, em uma linha reta. A natureza é muito linda, a laguna, as quedas dàgua e o Huascaran ao fundo. Não queríamos mais nada.

Laguna 69

Mas no 3º dia veio o dia mais lindo de nossa viagem, o trekking à Laguna 69. Um dia de planejamento, superação, companheirismo, dedicação e que o resultado foi admirar, presenciar a vista mais linda de nossas vidas.

Acordamos às 05:30, pois queríamos iniciar a trilha às 07hs, antes das excursões chegarem. Tomamos nosso café, e partimos. O início da trilha estava à 1,5 km do acampamento, e depois teríamos mais 07 km de ida e mais 07 km de volta, totalizando quase 17km, ida e volta. E ainda conta que você sai de uma altitude de 3.900 msnm e chega à 4.600 msnm. Prepare-se, a trilha é sim puxada. Ouvimos relatos de pessoas dizendo o contrário, mas nós, como não temos o preparo adequado, preferimos que você vá preparado, mas que vá e chegue, custe o que custar, assim como fizemos.

O início da trilha é muito gostoso, onde você caminha por uma área plana, como uma planície, com animais, o rio cortando todo o trajeto e visualizando as cachoeiras lindas que te acompanham em quase todo o percurso. Depois de uns 04 km sem muita subida, você chega em um ponto que o esforço aumenta, mas logo pensa, se já andei 04, o que são mais 03 km. É aí que você percebe que a natureza é quem manda.

A Carol não estava muito bem, o efeito da altitude estava pegando, desde o início da trilha muito enjoo, dores abdominais e fomos controlando a caminhada, sem apressar muito, e nos incentivando sempre. Mas tudo caminhava, e a Carol seguiu guerreira, parando de tempo em tempo, controlando a respiração, e seguindo rumo a Laguna 69. Em alguns momentos, pensava em desistir, pois estava com muito enjoo e dores e ao mesmo tempo, tinha um bom trecho para caminhar, sem contar a volta. Então combinamos que seguiríamos caminhando de 01 em 01 km, e a cada km pararíamos para descansar e nos recuperar, pois assim a trilha ganharia velocidade, pois estávamos parando em todo momento. E lá fomos, com nosso plano, que não conseguimos executar nem no 1º km. A Carol estava exausta, sentindo muito, e não acreditava mais em chegar, pedindo para ficar e o Glauco continuar. Mas sempre nos incentivávamos de irmos mais um pouco e ver se a subida melhoraria. E assim fomos brigando, conversando, e nos superando. Mas chegou um ponto que o Glauco também já se preocupou, pois tínhamos 02 km pela frente, e a caminhada não fluía. Mas ele não queria ir sozinho, e sabia que a Carol já tinha enfrentado outras piores, como o Fitz Roy na Argentina, mas só se esqueceu que lá não tinha altitude. Rsrs. Caminhamos mais um pouco, e ufa!! Não chegamos, mas naquele momento acabou a subida Chegamos na Laguna 68, à 2 km da Laguna 69, onde o próximo km era uma trilha em um vale, linha reta, até chegar no último km mais difícil da trilha. Tempo para respirar, brincar com a dificuldade que encarávamos e ganhar um pouco de velocidade. Mas a Carol estava muito aflita, pois nessa caminhada avistava o que estava por vir, 01 km de subida forte, a última etapa para chegarmos na paradisíaca Laguna 69. A subida foi tensa, várias paradas e vários momentos de desistência. A qual o Glauco insistia, e tentava de tudo para continuarem, pois chegamos até aqui, não é justo com a Carol percorrer tudo aquilo e agora não conseguir. Sim, vamos conseguir, vamos juntos até o fim. E a última guerra, foi na última curva da subida, quando a realizamos e avistamos o fim da subida, mas que ainda tinha bons passos para vencê-la. Aí a guerreira desmoronou, pediu chorando para o Glauco continuar, pois não queria mais. Aquilo apertou muito o coração do Glauco, mas ele foi. Foi avistar o que tinha pela frente, e de alguma maneira trazer a Carol depois. Em um pique, subiu até o topo e percorreu um caminho até a chegada a Laguna. Nesse momento tudo apagou. A única coisa que se via era um cenário que jamais podíamos imaginar conhecer, ou até mesmo existir. O visual quando se chega é inesquecível, é impressionante. Mas uma coisa veio à mente do Glauco: taí o que precisava para arrastar a Carol. E voltou e já no caminho, ela vinha subindo, devagarzinho, mas subindo, se esforçando e vencendo. O Glauco olhou para ela, já com os olhos brilhando da lágrima e disse: “Esquece tudo, o que você vai ver, nunca vimos antes na vida!”. E assim chegamos, e foi a vez da Carol despencar no choro.

O retorno foi mais tranquilo, a descida é mais fácil e tínhamos nos recuperado e fortalecido com tudo aquilo. Chegamos no acampamento por volta das 18hs, exaustos, onde só esquentamos nossa sopa e dormimos que nem pedra.

O relato às vezes pode assustar alguém que queira fazer a trilha, mas saiba que nosso preparo não é o mais adequado, então é sim possível fazer. Mas não é fácil, então se prepare. E no final, cada km, cada altitude vencida, vale muito a pena.

Foi no fim dessa trilha que o Glauco concluiu que o Peru é o país mais incrível da América do Sul em turismo, onde te possibilita conhecer todos cenários, desde as mais impressionantes ruínas, geleiras, cenários únicos e uma cultura autêntica e preservada. Um mês de férias para o Peru, é pouco. Não foi à toa que ficamos 50 dias.

Laguna Paron

Anestesiados pelo cansaço e por tanta beleza, acordamos e hora de partir. Nossa última etapa na Cordilheira Branca era visitar a Laguna Paron, a qual parte de Caraz, pequeno vilarejo do circuito Huascaran.

Saímos da Laguna Llanganuco e fomos para a cidade de Caraz. Lá, ficamos em um camping muito gostoso, afastado da cidade, em uma área de plantação de cravo e morangos. Um gramado, um banheiro, e uma vista linda. E principalmente, com uma temperatura muito gostosa. Passamos duas noites, para descansarmos e curtirmos aquele tranquilo lugar.

Já no 3º dia, partimos para laguna Paron. Já ouviu dizer da Paramount Films? O slogan dos filmes da Paramount Films tem ao fundo o Nevado Artensonraju, que fica ao fundo dessa laguna.

Saímos pela manhã e pegamos a estrada que o maps.me indicava. No meio do caminho, encontramos com uma moto que nos informou que a passagem estava fechada devido um deslizamento, ou algo parecido, que teríamos que seguir por outra estrada que demoraria 01 hora a mais. Na dúvida se devíamos ir até a laguna, pois o caminho era outro e sem informações, passa uma lotação, dizendo que iria pelo outro caminho levar alguns turistas, e se quiséssemos, podíamos segui-lo. Que sorte, e lá fomos nós. O trecho até entrada do parque foi bem, apesar de ser estrada de terra, estava boa para dirigir. Mas foi só até a entrada do parque, pois dali em diante, aproximadamente 16km, o trecho é o pior que pegamos. Muita pedra, estrada ruim, e ainda estava chovendo. Mas o Sancho atropelou e chegamos na Laguna por volta das 17hs. A laguna tinha a mesma tonalidade da laguna Llanganuco, muito linda. Mas nossa expectativa era de ver o nevado que inspirou a Paramount Films. Estava muito fechado e não conseguimos ver muita coisa, então vamos acampar e esperar o dia seguinte. Mais um dia dormindo abaixo de 0ºC e na altitude. A Carol preocupada, mas era a que mais queria admirar esse cenário.

Noite passou, foi difícil, mas o dia amanheceu. Amanheceu com a cara fechada, com o tempo nublado e escondendo o Nevado em todo momento. Aproveitamos para caminhar em volta da laguna, depois voltamos para preparar um almoço, tudo na expectativa dele aparecer.

Enfim, almoçamos, conversamos, demos um tempo e não tinha jeito. Essa imagem teríamos que guardar para uma próxima, pois o tempo não estava ajudando, começou a chover e não queríamos passar mais uma noite naquele frio. Até porque o dia seguinte não tínhamos esperança de melhoras. Juntamos as coisas e voltamos para Caraz, para o acampamento. Fomos comer uma pizza e nos despedir da Cordilheira Branca, já que no dia seguinte seguiríamos para o litoral, para o calor. E na pizzaria recebemos a informação que a estrada para o litoral pelo Canion del Pato, uma beleza incrível na região, estava fechado, sem previsão de liberação. Teríamos que tomar outro caminho, o que nos deixou decepcionado naquele momento, mas não dar para ter tudo.

  • Distância percorrida: 305 km (Caral – Huaraz) / 197 km (Huaraz – Punto Olímpico – Laguna Llanganuco) / 44 km (Laguna Llanganuco – Caraz) / 50 km (Caraz – Laguna Parón) – Total: 596 km
  • Estrada em boas condições até Huaraz e até Punto Olímpico, para Laguna Llanganuco e Parón muito ruins
  • Onde acampamos: Huaraz (Camping Hotel Real – $ 50,00 soles ou R$ 50,00) / Laguna Llanganuco (próximo à laguna, dentro do pq, camping free) / Caraz (Camping Guadalupe $ 30,00 soles ou R$ 30,00) / Laguna Parón (de frente para Laguna Parón, camping free)
  • Ingressos: Entrada Pq. Huascaran $ 10,00 soles p.p. (R$ 10,00 p.p.) cada vez que entrar no pq.
  • Locais recomendados: Laguna Llanganuco, Laguna 69, Laguna Parón, Camping em Caraz
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2 comentários

    • Simone Barth Tristão em 18 março; 2017 às 10:24 AM

    Responder

    Nossa que lugar incrível, mais que ainda que o destino foi a jornada de superação dos desafios e resistência, enquanto lia sempre acreditei que a Carol conseguiria, pois é uma mulher de fibra. Não pude conter até umas lagrimas também gente, eu sou mole mesmo.
    Outra coisa, esses enjoos aí e dores abdominais, isso pra mim é outra coisa, olhaa!!!
    Beijos
    Simone, Indaial/SC/Brasil

    1. Responder

      Siiii, linda, querida!! Muito obrigada pelo relato. Rsrs, e também pelo incentivo. Mas vou te dizer que foi árdua a batalha contra a desistência!! Mas no fim tudo compensou. Obrigada mesmo! Saudades!

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