Lima, a capital mais surpreendente na América do Sul

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Lima, a capital mais surpreendente na América do Sul

Data: 21.12.2016 a 06.01.2017

A vez agora é da capital do Peru. Como dissemos, esse é um momento, que apesar de encararmos o trânsito, a poluição e o barulho de uma grande metrópole, gostamos muito. Pois nos dá a condição de relembrar de nossa cidade e viver alguns dias em uma das principais cidades do país e ter uma noção de como é o dia a dia no país dentro de uma grande metrópole. Supermercado, transporte público, lazer, e lógico, turismo. Nessa viagem, percebemos que gostamos sim, de uma grande cidade!!

Após o passeio pela Islas Ballestas, saímos de Paracas e seguimos pela Pan-americana para Lima. Pouco mais de 270 km percorridos, e por volta das 15hs chegamos na capital, mais precisamente em um mecânico especialista em Land Rover, onde pretendíamos fazer a troca de óleo, a 3ª troca desde que saímos de casa, e também uma revisão geral no Sancho. Mas apenas o orçamento da troca de óleo, nos fez adiar essa revisão para Quito, no Equador, onde tem um outro especialista em LR. A troca de óleo também não fizemos lá, pois o preço de R$ 450,00 cobrado, era apenas 3x mais que pagamos no Brasil e Chile. Enfim, vamos trocar em um lubricentro e a revisão, daqui 2.000 km.

Saímos do mecânico e fomos para nosso camping. Tivemos muitas recomendações para ficarmos em um hostel no bairro de Miraflores, mas que por ser um hostel o local para overlander era pequeno, um estacionamento para no máximo 02(dois) carros. Assim, já há uns 10 dias atrás reservamos a estadia, pois por aqui pretendíamos passar nosso Natal e Réveillon, e seguir viagem apenas após as festas de fim de ano.

O hostel é o Hitchhikers, que fica no bairro de Miraflores, podemos dizer o bairro mais sofisticado e badalado da capital peruana. Chegamos e tinha apenas um overlander no local, assim garantindo nossa vaga por aqui. Ufa!! Um hostel bastante movimentado, com muitos mochileiros, indo e vindo de outras cidades peruanas, ou servindo como sua chegada ao país sul-americano. Nos instalamos, apesar do espaço não ser apropriado para camping, pois é bem ao lado da recepção e da área de convivência dos hóspedes do hostel, sem dúvida era a melhor opção para ficarmos, principalmente por sua localização, já que poderíamos fazer tudo por ali, andando a pé e no máximo pegar alguns ônibus quando quiséssemos ir ao centro histórico. Mas depois descobrimos que a localização do hostel era tudo isso e mais um pouco, o bairro de Miraflores é simplesmente lindo, sem exageros, tivemos 15 dias, nossa maior estadia até aqui em uma cidade, maravilhosos. Lugar bonito, com tudo perto, vida noturna agitada, restaurantes, bares, supermercados, atrações, e o principal, a orla do mar com um paisagismo lindo e uma vista e pôr do sol espetacular. E tudo por ali era muito organizado e limpo, dizendo de trânsito, pessoas, estabelecimentos, o que nos deixou a impressão de um lugar especial para se viver. Sim, nós dois pensamos que ali sim era possível deixar São Paulo e viver com nossos futuros filhos. Mas sabemos que a impressão é uma, e a realidade é outra. Mas que a impressão ficou marcada positivamente, sim, ela ficou. Então se for para Lima, fique em Miraflores, sem pensar duas vezes.

Mas Lima é muito mais do que Miraflores, já que essa capital abriga quase 1/3 da população peruana, com aproximadamente 9 milhões de habitantes. Em meio a um vale, junto a uma costa do oceano Pacífico, com avenidas tipo marginais cortando a cidade, o trânsito até que não nos assustou tanto, com boa sinalização e de fácil acesso entre os locais. Ela é dividida em diversos distritos, dentre eles o mais importante ainda é o Lima Centro, com sua história, prédios e construções conservados, praças muito bem cuidadas, sempre com o capricho de flores e da limpeza impecável. Além do centro e do bairro Miraflores, existem os bairros de San Isidro e Barrancos, com a mesma popularidade entre os turistas.

Ônibus Linha Direta

Em nosso passeio pelas ruas do Centro, saímos do hostel e fomos de ônibus, através da linha direta que funciona como o metrô, sem trânsito, em um corredor único. Foi bem tranquilo, apesar de termos que encará-lo lotado, até o ponto da estação de trem, onde a maioria dos passageiros desceram. Dali pra frente foi mais tranquilo, mas em conversa, dizem que a lotação é normal, então se preparem. Descemos no ponto que dá acesso a Plaza Mayor, a principal praça do Centro Histórico, que é rodeada pelo Palácio do Governo, Prefeitura e a Catedral. E uma apresentação interessante acontece bem ali, no Patio Honor, em frente ao Palácio do Governo, todos os dias às 12:00, que é a troca de guardas. Ela dura aproximadamente 20 min, não paga nada e sempre está lotado de pessoas de frente ao portão para prestigiar. E como chegamos às 11:40, nada melhor do que aguardar por ali, enquanto a Carol aproveitava para tirar fotos de todas aquelas construções lindas, e daquela praça tão bonita e bem cuidada, sem pichações, lixos ou qualquer outro vandalismo. Dá gosto de ver como o centro nas capitais que passamos são respeitados.

Após a apresentação escolhemos uma atração paga para visitarmos, pois devido orçamento, não podemos pagar por tudo que queremos, então a escolha foi Iglesia y Convento de San Francisco, principalmente pela curiosidade de conhecer as catacumbas ali preservadas. E foi muito bacana, pois o ingresso era acessível, R$ 10,00 por pessoa, e te dava direito a conhecer o interessante convento, em um tour guiado, e ingressar nas galerias claustrofóbicas onde verá ossos e caveiras do antigo cemitério que antes funcionava ali. É um pouco estranho, mas muito interessante. Mas além dessa parte mais assustadora, o convento conta com salas muito especiais, como o local onde eles utilizavam para suas manifestações e também refeitório, com uma pintura ao fundo da Santa Ceia, mais contemporânea, já que nela está incluída alguns costumes peruanos, como alguns pratos típicos da região. E outra sala muito interessante é a biblioteca, que nos lembrou o filme “Em nome da Rosa”, com seus livros gigantes e cenário muito curioso. E aprecie a arquitetura de todo o local, desde suas pinturas, paredes e até os tetos.

Saindo do Convento, paramos para um breve lanche em um bar bastante tradicional do Centro, o mais antigo bar-restaurante de Lima, segundo o Guia o Viajante, o Bar Cordano, onde comemos de entrada uma Causa (como um purê de batatas recheado com um temperado frango desfiado, montado de uma maneira muito bonita, que você come com os olhos) e de prato principal um camarão no molho da casa. Tudo muito saboroso, só ficou faltando a sobremesa, um parecido com nosso pudim de leite, que tinha acabado. Em nossas poucas saídas para restaurante, esse foi bastante gostoso.

Daí pra frente, fomos bater perna. Atravessamos o centro pelo calçadão Jiron de la Union, até chegarmos na outra praça impressionante pela sua preservação, a Plaza San Martin, com uma estátua de San Martin sobre seu cavalo no centro, e ao fundo o 1º hotel de Lima, o Bolívar. Daqui caminhamos até o distante mercado Central, que não vale a visita, pois é um mercado comum, do qual você vê em outras cidades, com menos fatos curiosos. Não é turístico e tão pouco interessante, já que vimos diversos outros mercados centrais mais exóticos ou atraentes.

Saindo do centro, nossa estadia e vida em Lima se concentrou em Miraflores. Do hostel, você vai caminhando até o Parque Central, parque que reúne turistas, limenhos, barraquinhas bem arrumadas de comidas e bebidas de rua, e uma catedral. Ao seu redor, diversos bares e cafés, hostels, e um calçadão que concentra diversos restaurantes com comida típica e bares, como o Pub Nazca, que foi um dos locais que nos divertimos com uma cerveja gelada e um bom ambiente em meio à gringos e um rock internacional. Ao fundo do Parque Central, tem um bar brasileiro, especializado em caipirinhas, e alguns aperitivos de nossa região, como a coxinha. Como estávamos com muita saudade da coxinha, fomos arriscar. A caipirinha você escolhe a cachaça, como opção uma cachaça peruana, mais barata, e as importadas, a Sagatiba e a mais cara a Velho Barreiro. Fomos de Sagatiba, a Carol do tradicional limão e o Glauco arriscou uma de maracujá. Muito boas, no ponto certo e bastante saborosas. Para acompanhar, lógico, coxinha. É, essa não matou a saudade, mas não estava de todo ruim para acompanhar uma boa bebida e um início de noite no movimentado bairro. Outra rua que contêm vários restaurantes com almoços a preços sugestivos, R$ 10,00 com entrada, prato e suco, e também uma boa pedida para uma cerveja no fim do dia é a Calle Berlim, próxima e bem movimentada. Se tratando de comida e bebida, em uma noite fomos experimentar o tão recomendado restaurante Punto Azul, especializado em pratos com frutos do mar, como ceviche, camarões e polvos. Fomos caminhando até o restaurante, por volta das 20hs, em uma noite muito tranquila e agradável. A sugestão, continuamos com a recomendação. Uma comida saborosa, com preço justo e um ambiente gostoso. Fomos de leche de tigre e um marisco gratinado com queijo como aperitivo e de prato principal uma sopa de camarão muito saborosa, aliás, tudo estava muito bom.

Além desses passeios, quase todo fim de tarde íamos até a orla de Miraflores, ou jogar um pouco de peteca, ou caminhar e passear pelas praças, e observar o dia a dia daquela cidade. Dentre essas caminhadas, observamos o pessoal saltando de parapente, descemos até a via de baixo, que dá acesso às praias, onde visitamos uma delas, muito frequentadas por iniciantes no surfe e também conhecemos o shopping Larcomar, um shopping muito chique, mas que vale uma visita pois fica a céu aberto, de frente ao Pacífico. Mas o que mais gostávamos mesmo era de simplesmente ficar nas praças, olhando o Pacífico e as flores que ornamentavam todo o calçadão. Um lugar lindo, que em nosso último dia, deu espaço para um piquenique a dois, contemplado de beleza e muito amor.

Quando se diz em serviços, nossos supermercados mais frequentados foram o Wong e o Vivanda, tão bom quanto o Plaza Vea, e nesse caso mais próximos do hostel. O Wong em especial, no 2º andar tem comidas prontas para vender, e entre elas Ceviche e Leche de Tigre, sempre frescos e feitos na hora. Uma tentação que repetimos umas cinco vezes, de tão bom e com um preço justo (ceviche para duas pessoas por R$ 13,90). Já o Vivanda tinha frutas e hortaliças sempre muito frescas.

Natal e Reveillon

Estávamos preocupados com nosso Natal, o 1º distante da família, e os dois sempre gostaram muito dessa data. Mas nesse caso, o jeito era fazermos algo especial para nós dois, já que sabíamos que as lembranças da família viriam. Fomos no mercado e compramos bebidas, comidas e aperitivos para prepararmos na ceia. Além disso, o natal é muito tradicional no Peru, e o hostel tinha se preocupado em preparar uma ceia para seus hóspedes, com direito a peru assado, panettone e espumantes. Foi uma preocupação e carinho que agradecemos sempre, pois é legal ser acolhido assim. Já nós preparamos uns alguns aperitivos e também fatias de peru e pernil. Enfim, a ceia não faltaria. Apenas as pessoas que mais amamos estariam distantes, mas com os corações grudados, ou por sentimento, ou por telepatia e principalmente em pensamentos. E como a ceia no Brasil acontecia 03 horas antes, devido fuso horário, através de vídeos no whatsapp conseguimos sentir o calor e carinho de nossas famílias. Foi muito gostoso. Mas tem outro fator que foi muito bom nesse dia de Natal. Por obra do destino, caíram em Lima, no mesmo hostel que nós, dois brasileiros que esquentaram a nossa noite de Natal, nossos hoje queridos amigos Moyses e Breno, duas figuras que se conheceram em terras peruanas, e de tão divertidos já tinham uma legião de fãs por todo país. Pessoas do bem, com o mesmo propósito de vida que o nosso, com quem ficamos juntos até o fim do dia 25, embalados pelo violão do Breno e suas melodias, e com a voz do quase afinado Moyses. Mas não só de brasileiros viveu nosso Natal. Nesse dia também, chegou um casal de overlander no hostel, que moravam em Israel. Ele, Oded, natural de Israel, e ela, Hanna, americana, que se apaixonou pelas terras israelenses, ou pelo israelense, não sabemos. Um casal muito bacana, por quem tivemos um carinho logo de cara. E assim, com essa turma, embalamos nosso dia 25 com muita cerveja, violão e risadas. Foi muito bom tê-los por perto.

Mas como viajantes, o Breno seguiu viagem para Miami, onde vai tentar a vida por um tempo, o Moyses se apressou em percorrer o resto do Peru, Bolívia e Chile, para depois partir para Tailândia, e a Hanna e o Oded queriam calor e praia da Colômbia.

Novamente, Glauco e Carol juntos no réveillon. Esse foi mais tranquilo, pois já estávamos acostumados a passar com amigos, longe da família, mas mesmo assim o nó na garganta veio. Ainda mais vendo a família do Glauco toda reunida no sítio e a galera da Carol curtindo o sul do nosso país. Já nós fomos para a tão falada orla, ver as queimas de fogos. Foi tudo muito lindo, aproveitamos bastante, comemoramos muito, choramos também e agradecemos por esse ano tão movimentado que tivemos, de tantas mudanças e acontecimentos. Feliz 2017, que venha com o mesmo entusiasmo e coragem que passou 2016.

Entrou o ano, arrumamos nossas coisas, levamos o Sancho no lubricentro e seguimos viagem. Hora de continuar nossa história por esse mundo afora.

  • Distância percorrida: 278 km (Paracas – Lima)
  • Estrada em boas condições (Pan-americana Norte), com 02 pedágios (Saindo de Paracas $ 13,80 soles (R$ 13,80) e chegando em Lima $ 5,00 soles(R$ 5,00)
  • Onde acampamos: Hitchhikers Hostel ($ 50,00 soles / R$ 50,00 reais com energia)
  • Locais recomendados: bairro Miraflores; orla da praia, próximo camping; Iglesia San Francisco e suas catatumbas, Centro histórico, Praça do Amor, Shopping Larcomar, Restaurante Punto Azul, Supermercados Wong (com ceviche fresco todos os dias) e Supermercado Vivanda; passear pela praça de Miraflores; piquenique no calçadão da praia.
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